Esplendor e engenho dos códices medievais

Esplendor e engenho dos códices medievais


Exposição na Capital da Cultura dá a conhecer exemplares dos séculos VIII ao XVI

São exemplares preciosos de algumas das obras primas entre os manuscritos iluminados que a Europa produziu num período que vai do século VIII ao século XVI. Chegaram de Barcelona e foram reproduzidos pelas Edições Moleiro num processo que os apresenta como "quase-originais". O público da Capital da Cultura vai poder apreciá-los agora na exposição a inaugurar esta tarde, às 18H30, na Casa Museu Bissaya Barreto, em Coimbra.


Não é necessário ser especialista e saber com rigor a arte e o engenho postos na manufactura de um livro antigo - manuscrito e iluminado - para ser um visitante atento e apreciador da exposição "Códices Medievais e Cartografia dos Descobrimentos das Edições Moleiro" que hoje abre ao público.

O mais certo é que qualquer de nós se deixe sensibilizar pela beleza que transparece de cada obra, reforçada, de acordo com os melhores especialistas, pelo exemplar trabalho de reprodução das Edições Moleiro, que vai para lá do 'fac-simile' e chega a uma perfeição "quase-original". O que está a ser feito com as obras mais significativas, verdadeiros tesouros à guarda de instituições tão importantes como a British Library de Londres, The Metropolitan Museum of Art de New York, a Biblioteca Nacional da Rússia, em S. Petersburgo, O Museu Arqueológico Nacional, em Madrid, a Biblioteca Nacional Marciana em Veneza, A Biblioteca Nacional de França, em Paris, o Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, ou a Santa Catedral Primada de Toledo.
Depois há ainda outra razão para a curiosidade particular dos portugueses. Esta exposição dá a conhecer, além dos códices medievais, muitos exemplares preciosos da cartografia dos Descobrimentos, obras de alguns dos mais importantes e renomados cartógrafos da História de Portugal.


E é exactamente esta a particularidade que vai ser abordada por Alfredo Pinheiro Marques, professor de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e director do Centro de Estudos do Mar Luís de Albuquerque, na Figueira da Foz. O especialista vai proferir esta tarde, aquando da abertura da exposição, a conferência "A arte e a ciência da cartografia dos Descobrimentos na beleza e no rigor gráfico das Edições Moleiro".


A outro especialista, Aires augusto Nascimento, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi entregue a responsabilidade de proferir a conferência de encerramento da exposição, agendada para as 18H30 do dia 28 e subordinada ao tema "A imagem no texto: Esplendor do livro e marcação de leitura no Manuscrito Medieval".
Integrada no programa com o qual a Fundação Bissaya Barreto participa em Coimbra Capital Nacional da Cultura 2003 - subordinado ao lema "Identidades" -, a exposição pode ser visitada até 30 de Março na Casa Museu Bissaya Barreto, aos Arcos do Jardim, em Coimbra.



O mais célebre atlas
 dos Descobrimentos

A acompanhar a exposição feita pelos exemplares reproduzidos das mais importantes obras do passado, verdadeiros tesouros legados pelos grandes e incógnitos artistas que as paredes dos mosteiros encerravam, estará a apresentação pública de um próximo e importante projecto editorial: o célebre Atlas Miller, datado de 1519 e da autoria do mestre de cartas marinhas Lopo Homem, de Pedro Reinel e Jorge Reinel, pai e filho, e do miniaturista António de Holanda, quatro de entre os maiores cartógrafos que a História dos Descobrimentos conheceu.
 Conservado na Biblioteca Nacional de França, em Paris, o Atlas Miller foi desde sempre considerado o mais célebre e sumptuoso atlas da cartografia da época dos grandes Descobrimentos. De acordo com uma nota do Centro de Estudos do Mar, a edição que está a ser preparada, sairá acompanhada por um estudo da autoria de Alfredo Pinheiro Marques, historiador da cartografia portuguesa.
 De acordo com uma nota do editor, o Atlas Miller dá a conhecer o progresso do conhecimento europeu sobre a Arábia, a Índia e a porta para as ilhas das especiarias. É nele que primeiro aparece o mapa relativamente exacto de Sumatra e é no planisfério que lhe serve de frontispício que se expõe a tese que Magalhães apresentou a Carlos V, em Valladolid. Este atlas é, portanto, um documento básico para a compreensão dos Descobrimentos.


Da história do documento, além de ser o primeiro a assinalar todo o mundo conhecido - ainda que não se tenham conservado os mapas de África - há a destacar a aquisição feita no final do século XIX pela Biblioteca Nacional de França e, agora, a sua reprodução pelas Edições Moleiro.

Lídia Pereira



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