O texto foi composto com finalidade didáctica por Pedro de Poitiers, chanceler da Universidade de Paris entre 1193 e 1205. O seu propósito foi criar um opúsculo que fosse útil aos alunos e servisse de ajuda nos estudos dos clérigos pobres que não podiam pagar os livros. Para estes motivos concebeu as histórias do Antigo Testamento sob a forma de árvores genealógicos apresentados numa fita de pergaminho que se colocava nas paredes da aula, para que desta forma se pudesse apreciar todo o conteúdo ao mesmo tempo. A obra teve um grande sucesso e uma enorme difusão; conservaram-se, pelo menos, cinquenta manuscritos desde o século XIII ao XV.
Tendo em consideração a complexidade das personagens e situações narradas na Bíblia, esta obra contém um dos mais importantes resumos da história que culmina em Cristo. A Genealogia Christi ou Compendium de Pedro de Poitiers está organizada em seis períodos históricos, denominados as seis idades do mundo e que procedem de uma tradição teológica muito antiga baseada na Bíblia (Génesis 5, 1; 6, 9 e Mateus 1, 1-17). As cinco primeiras idades começam com cinco personagens do Antigo Testamento: Adão, Noé, Abraão, David e Sedecias. A sexta idade parte do nascimento de Cristo e conclui com uma Crucificação onde, além de Cristo, também se representam a Virgem Maria e São Francisco de Assis.
Foram utilizadas uma grande diversidade de cores para diferenciar vários aspectos dos textos, como o sexo das personagens –por exemplo, os nomes das mulheres podem estar encerrados em círculos rodeados de verde, e os dos homens, em circunferências circundadas de vermelho–; as distintas categorias –para os reis usam-se o vermelho e o ocre, e para os profetas o azul–; por outro lado, no tronco central que vai desde Adão e Eva até à crucificação, cada idade da história do mundo está representada numa cor distinta: ocre para a primeira, vermelho para a segunda, verde para a terceira, vermelho para a quarta, azul para a quinta e amarelo-dourado para a sexta.