Viagem pelas joias da cartografia portuguesa


Porto. Sete séculos de história em mapas e manuscritos para ver no Palácio da Bolsa

Trinta réplicas das principais joias da cartografia portuguesa da época dos Descobrimentos e manuscritos iluminados levam-nos, a partir de hoje, numa viagem por sete séculos de história, no Palácio da Bolsa, no Porto. Tesouros bibliográficos (séculos X a XVI): A arte e o génio ao serviço do poder “é uma exposição universal, com obras sobre beatos, alquimia, felicidade, como uma réplica de Theriakay Alexipharmaka, do século X, o único manuscrito iluminado”, segundo o presidente da M. Moleiro Editor, Manuel Moleiro, que organiza a mostra.

Ao longo da exposição, que está patente até 1 de maio, é possível deliciar o olhar com réplicas de obras conservadas nas mais conceituadas bibliotecas e arquivos do mundo. É o caso de Tacuinum Sanitatis, do século XV, um tratado sobre bem-estar e saúde, cujo original se encontra na Biblioteca Nacional de França. A minúcia é tal que todas estas réplicas parecem originais, como o manuscrito Beato de Girona – do século X, o único pintado por uma mulher, com material ilustrativo, como o retrato mais antigo do apóstolo São Tiago. O original está conservado na Catedral de Girona, Espanha. Pode ver-se ainda uma imitação do Tratado de Herbis, de 1440, um dos primeiros dicionários de matéria médica. Ou ainda uma cópia, que parece mesmo original de tão minuciosa que é, do Livro da Felicidade, do século XVI. Também é possí- vel apreciar o Pergaminho Vindel, dos séculos XIII-XIV que foi a última obra replicada pela Moleiro Editor para esta mostra. “É o único que está musicado. Contém as sete cantigas de amigo atribuídas ao jogral Martin Codax”, diz Manuel Moleiro. Mais, ressalva, “é um dos conjuntos mais importantes da poesia medieval galaico-portuguesa”. O original está guardado na Morgan Library & Museum, em Nova Iorque.

A exposição inclui ainda quatro obras-primas da cartografia, nomeadamente o Atlas Universal de Fernão Vaz Dourado (1571), cujo original está no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O coordenador e autor da cópia deste Atlas, João Carlos Garcia, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, disse que o livro, agora publicado, é fruto do trabalho de uma equipa multidisciplinar. “A ideia é que o leitor vá folheando o mundo”, diz, explicando que está patente uma relação entre a pintura e a cartografia.

“É como fossem janelas que vão abrindo sobre o planeta Terra.” Por exemplo, nestes 15 mapas expostos é possível ver “a imagem da Terra através da cartografia”. É como se fosse numa viagem de barco pelo “Sul da América – estreito de Magalhães – desde o sul da Patagónia, seguindo pelo litoral, descendo pela Europa Ocidental, África, contornando o cabo da Boa Esperança, depois pela China e o Japão, e cruzando o Pacífico”.

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