Atlas universal de Fernão Vaz Dourado

Atlas universal de Fernão Vaz Dourado FOLHA 16 - NESTA. FOLHA. ESTA. LAMCADO O CABO. DE LEMGANHO COM TODA. A COSTA. DE MEXIQO E A COSTA. Q. DESCVBRIO. O VILHALOBOS.
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FOLHA 16 - NESTA. FOLHA. ESTA. LAMCADO O CABO. DE LEMGANHO COM TODA. A COSTA. DE MEXIQO E A COSTA. Q. DESCVBRIO. O VILHALOBOS.

O principal objectivo desta carta é mostrar ao leitor a pouco conhecida costa oeste da América do Norte. A escassa toponímia figurada prova a lenta colonização espanhola feita a partir dos portos mexicanos do Pacífico, localizados a sul.

Para Noroeste, uma grande inscrição que envolve as armas de Castela/Aragão, informa: “O ANO. DE. 1545. NO MES DE IANEIRO IMDO. RVI LOPES. DE VILHA. LOBOS PERA. MALVCO. DESCVBRIO. ESTA COSTA.” Porém, nem o nome do explorador, nem a data correspondem aos acontecimentos históricos. Em Novembro de 1542 saiu de Navidad, na costa mexicana, uma esquadra capitaneada por Ruy López de Villalobos em direcção ao outro extremo do Pacífico. A ele se atribui a denominação de Filipinas ao arquipélago do Sudeste asiático, mas não qualquer exploração nas costas da Califórnia.

Estes litorais são reconhecidos, exactamente no mesmo período (1542-1543), pelo português ao serviço da coroa espanhola, João Rodrigues Cabrillo, e Bartolomé Ferrelo por ordem do 1º Vice-Rei da Nova Espanha, António Hurtado de Mendoza. Essa exploração estende-se da Baixa Califórnia para Norte de São Francisco, até cerca dos 44º N, os espaços figurados na carta de Vaz Dourado como supostamente reconhecidos por Villalobos. Em Janeiro 1545, data referida como da descoberta, Villalobos está nas Molucas em complexas negociações com os portugueses e aí falece na Páscoa do ano seguinte.

Sobre os modelos cartográficos utilizados por Vaz Dourado para o desenho dos litorais, comenta Max Justo Guedes: “Na costa ocidental a Baja California e o Golfo de California acompanham aproximadamente o protótipo de Domingo del Castillo; acima do cabo Demganho (ou cabo Dengano), colocado em 32º Norte, Vaz Dourado desenhou enorme trecho costeiro, orientado Oeste-Noroeste, que alcança os 40º 30’ N e, no final, foi caracterizado pelo topónimo terá incoziita (má grafia de terra incógnita).” Os 40º 30’ N remetem para o actual Cape Mendocino, marco geográfico importante, para norte da Baía de São Francisco mas, a escala de latitudes faz estender o interior do continente (deserto) até aos 48º N, perto da actual fronteira com o Canadá.

Sobre o actual México ocidental encontramos uma destacada inscrição que recorda as campanhas de ocupação de Cortez, de 1535-1536: “Tera. Que Descubrio. Fernäo cortes por mädado do emperador Carllos.” No interior do “Mexiqo” um castelo sobre a ilha central de um grande lago figura a Cidade do México, a capital Tenochtitlán destruída por Cortez em 1521, que no mapa surge como “Matecvma”, o nome do último monarca azteca, Moctezuma II. Sobre a grande cidade, o brasão com as armas de Castela-Aragão impõe a posse do espaço.

João Carlos Garcia
(Faculdade de Letras, Universidade do Porto)
 


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