Da cidade de Cartan (Quanzhou), f. 108r

O Livro das Maravilhas do Mundo, Marco Polo - Odorico da Pordenone

Da cidade de Cartan (Quanzhou), f. 108r


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Passei por muitas terras e cidades e cheguei a uma muito nobre chamada Cartan (Quanzhou), também conhecida como Catan, na qual se situam duas casas de frades da nossa ordem. A estes irmãos levei os corpos santos desses mesmos frades que foram mencionados anteriormente, os quais foram martirizados na cidade de Cana.

Nesta cidade de Cartan há uma grandíssima abundância de todas as coisas necessárias à vida humana. Ali, podem obter-se quatro libras e oito onças de açúcar por menos de um meio grosso. Esta cidade é belíssima e situada à beira-mar; é muito grande, como se fosse duas vezes o tamanho de Roma.

Há várias abadias de monges idólatras, pois o povo é, geralmente, idólatra. Fazem o soberano de todos os seus ídolos tão grande como nós aqui representamos São Cristóvão. À hora em que dão de comer ao seu ídolo, entrei com os outros para observar os seus costumes. Trazem ao seu ídolo viandas muito quentes e a ferver, e colocam-nas diante dele: o vapor sobe até ao rosto do dito ídolo, e estas gentes insensatas dizem que o ídolo, que é de ouro, se alimenta deste aroma. Contudo, assim que a comida deixa de deitar vapor, os sacerdotes vão-se a ela e comem-na entre si.

[Desta região, viajei em direção ao Oriente, para uma cidade chamada Fuzo (Fuzhou).]

Nesta cidade encontram-se os maiores galos do mundo. As galinhas são ali tão brancas como a neve e não têm penas nenhumas como as nossas, mas sim lã como as ovelhas.

Desta cidade, viajei em direção ao Oriente durante dezoito jornadas de caminho, até chegar a uma montanha. De um lado dessa montanha, todos os animais são pretos, e do outro lado, todos os animais são brancos. As mulheres casadas usam ali um corno sobre a cabeça, e por esse corno se distinguem as mulheres casadas das restantes.


O Livro das Maravilhas do Mundo, Marco Polo - Odorico da Pordenone Da cidade de Cartan (Quanzhou), f. 108r

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Da cidade de Cartan (Quanzhou), f. 108r

Passei por muitas terras e cidades e cheguei a uma muito nobre chamada Cartan (Quanzhou), também conhecida como Catan, na qual se situam duas casas de frades da nossa ordem. A estes irmãos levei os corpos santos desses mesmos frades que foram mencionados anteriormente, os quais foram martirizados na cidade de Cana.

Nesta cidade de Cartan há uma grandíssima abundância de todas as coisas necessárias à vida humana. Ali, podem obter-se quatro libras e oito onças de açúcar por menos de um meio grosso. Esta cidade é belíssima e situada à beira-mar; é muito grande, como se fosse duas vezes o tamanho de Roma.

Há várias abadias de monges idólatras, pois o povo é, geralmente, idólatra. Fazem o soberano de todos os seus ídolos tão grande como nós aqui representamos São Cristóvão. À hora em que dão de comer ao seu ídolo, entrei com os outros para observar os seus costumes. Trazem ao seu ídolo viandas muito quentes e a ferver, e colocam-nas diante dele: o vapor sobe até ao rosto do dito ídolo, e estas gentes insensatas dizem que o ídolo, que é de ouro, se alimenta deste aroma. Contudo, assim que a comida deixa de deitar vapor, os sacerdotes vão-se a ela e comem-na entre si.

[Desta região, viajei em direção ao Oriente, para uma cidade chamada Fuzo (Fuzhou).]

Nesta cidade encontram-se os maiores galos do mundo. As galinhas são ali tão brancas como a neve e não têm penas nenhumas como as nossas, mas sim lã como as ovelhas.

Desta cidade, viajei em direção ao Oriente durante dezoito jornadas de caminho, até chegar a uma montanha. De um lado dessa montanha, todos os animais são pretos, e do outro lado, todos os animais são brancos. As mulheres casadas usam ali um corno sobre a cabeça, e por esse corno se distinguem as mulheres casadas das restantes.


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