Atlas universal de Fernão Vaz Dourado

Atlas universal de Fernão Vaz Dourado FOLHA 10 - NESTA FOLHA. ESTA. LAMCADO. O CABO. DE BOA ESPERAMCA. ATE A CONOCIALI. DE LESTE OESTE.
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FOLHA 10 - NESTA FOLHA. ESTA. LAMCADO. O CABO. DE BOA ESPERAMCA. ATE A CONOCIALI. DE LESTE OESTE.

Tendo o Equador no topo, o mapa figura a África meridional, de São Tomé ao Cabo da Boa Esperança e daí até à costa da Somália, incluindo a ilha de Madagáscar e parte do Índico ocidental.

No interior do continente quase vazio, encontramos figurada a ideia de um lago central do qual partem vários rios que correm para cada um dos oceanos, embora a escala gráfica se inscreva sobre ele para o tornar apenas uma hipótese. Trata-se de uma imagem vinda das cartas de Bartolomeu Velho (1561) e de Gastaldi (1564), já difundida junto do público erudito através do Theatrum de Ortelius, desde 1570, e que conhecerá ainda maior difusão com o mapa impresso de África de Lopes/Pigafetta, de 1591.

Recordando a posse espiritual de todos os territórios ultramarinos pela Ordem Militar de Cristo, a presença portuguesa no sul do continente africano é imposta pelas bandeiras com a Cruz de Cristo, como a implantada a 26º S, no litoral do deserto da Namíbia, a “tera das baixas”, e pelos escudos com as armas de Portugal, a norte de “Manicongo”, em “Mosambiqe”, em “Sofala” e “R. de Cvama”. A ligação da colonização portuguesa às bacias dos grandes rios Congo e Zambeze, e o controlo das escalas das rotas marítimas entre o Atlântico e o Índico, encontram-se aqui claramente identificados.

João Carlos Garcia
(Faculdade de Letras, Universidade do Porto)
 

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